Mais um sucesso dos Especialistas

Realizou-se no passado dia 24 de março o XLI encontro anual nacional da Associação de Especialistas da Força Aérea que decorreu no Centro de Formação Militar e Técnica da Força Aérea, na velha Base Aérea N.º 2.

Marcaram presença mais de seis centenas de associados oriundos dos quatro cantos do país, de Bragança ao Algarve e até aos Açores.

Mais uma excelente jornada de convívio em que todos, unicamente unidos pelo espírito Especialista, não deram como tempo perdido tantas foram as reações de amizade e cumplicidade que perpassaram por aquela nossa casa-mãe.



Aproveitamos e agradecemos as mensagens/reportagem que nos chegaram e comecemos pela prosa e excelentes fotos do evento da autoria do Augusto Ferreira, Especialista Melec/Instr.Av., da 3ª recruta de 69:

“Num dia Primaveril, mas de intenso vento frio, que até enregelava os ossos, todo o programa pré-estabelecido se foi desenrolando sem qualquer percalço.

Chegados à base, começámos pela visita ás camaratas, que mostravam evidentes sinais de conforto, de que não beneficiámos, quando por lá passámos a algumas décadas atrás. Ainda bem que as coisas melhoraram.

Encaminhámo-nos de seguida, para o local onde funcionou em tempos, o nosso bem conhecido GITE. Agora extinto.

Aí começámos os reencontros com antigos companheiros de curso, de ano de incorporação, de bases e de África, que foram acontecendo durante o Encontro, onde estiveram presentes mais de seis centenas de Especialistas.

Iniciaram-se depois cerimónias, com a presença do Sr. Comandante da B.A.2, Capelão e outras individualidades, com alocuções, entrega de prémios, celebração dos defuntos, sendo depositada uma coroa de flores, no monumento aos militares que tombaram na Guiné, Angola e Moçambique.

Seguiu-se a entrega de lembranças aos convidados e chamada por anos de incorporação.

O almoço de confraternização aconteceu por volta das 13h e 30 conforme previsto.

Houve depois momentos de animação com o Tino Costa, (também ele Especialista algarvio) com o seu acordeão.

Ao Sr. Comandante da Base, dedicou-lhe a primeira peça musical que interpretou.

No final do Encontro foram arreadas as bandeiras dos núcleos e de seguida começaram as despedidas, com a promessa de voltarmos para o ano a reencontrar-nos.

Parabéns à Direção Nacional e a toda a sua equipa, por este gigantesco esforço, para levar a bom termo e com sucesso, uma organização desta dimensão.”

Assim como, e com a devida vénia do Facebook da Força Aérea Portuguesa, damos à estampa os sentimentos do Rui Baptista, Especialista OPC, da 3.ª recruta de 69:

“Ota dos meus sonhos, dos meus anseios.

Organizado pela Associação dos Especialistas da Força Aérea, AEFA, realizou-se no dia 24.3.2018 uma visita à BA2, na OTA e destinada a antigos ESPECIALISTAS da FAP. Obrigado, AEFA, pelo dia inteiro cheio de emoções e pelos vários baques que eu tive no meu coração.

À OTA dos meus sonhos, dos meus anseios. Há quase 49 anos (sim, quarenta e nove aninhos) que estive na FAP no curso de especialistas. OPC foi a minha escolha. Para mim, era o melhor curso. Englobava, além do inesquecível morse, as teleimpressoras, a cifra…

Bom, o primeiro baque foi quando cheguei à parada (transportado no autocarro mais velho de todos quantos chegaram. Era de 1992, mas chegou ao mesmo tempo qua os outros pimpões muito mais novos, alguns de 2015, cheios de ar condicionado e de suporte para os pés e tudo…).

Ao descer do machibombo, fiz questão de pisar com o pé direito a parada. E, 49 anos depois, olhei, embevecido, num misto de emoções que não saberei nunca descrever e vi, claramente visto, em 1969, a parada cheia de putos armados em homens, com o fato de macaco azul escuro e um boné às 3 pancadas, a fazerem “ordem unida”.

À frente, em cima de um escadote com uma dúzia de degraus, um tipo, também ele com o mesmo equipamento que nós, a mandar-nos fazer isto e aquilo e aqueloutro. Já estávamos fartos. Já tínhamos mais de dois terços da recruta feita. Já éramos, portanto, malandros. E começámos a abandalhar. E começou a chover. E cada vez a chover mais. E nós, 412 recrutas enregelados e ensopados, na parada.

E o tal tipo, instrutor de Educação Física, disse, com o seu megafone e do alto do seu escadote:

-Como estamos todos muito cansados, vamos descansar. Podem ficar na posição de “descanso”.

E ficámos na posição de “descanso” não sei quanto tempo (largas dezenas de horas para nós. Largas dezenas de minutos na realidade).. pensei que o tal tipo ia abrigar-se junto das camaratas, ali logo ao lado. Mas não. Continuou no escadote, a apanhar a mesma chuva que nós, os recrutas malandros com dois terços da recruta feita.

Esse tipo mereceu, da nossa parte, além da ira com ranger de dentes e tudo, um profundo respeito. Respeito esse que, no meu caso, permanece até hoje. E ele não sabe.

Esse tipo era, exactamente, como todos já adivinharam, o Alferes Cid, ou seja, o José Cid.

Visitei as camaratas. Iguais, da mesma cor, mas com aquecimento e portas. Aí também me veio à lembrança tantas e tantas situações, que não relato por respeito à paciência de quem me lê. Mas não posso deixar passar o que dormia no beliche por baixo de mim, o “Farense”, o 1862 de Viseu, o Condeixa, o Carvalhosa, o Belchior, o Oliveira, o Neves, os Garcias (o da Figueira da Foz e o da Moita). Enfim, e tantos outros. Antes de seguir para o GITE, encontro (sabia que os ia ver, não foi surpresa) o Mário João, o Pedro Garcia, o outro Pedro (falha-me o apelido), o António Oliveira. Perdoem-me os outros que vi e não reconheci. Depois de apertados abraços com a força de 49 anos de ausência, lá seguimos, desta vez não a pé, mas de autocarro, até ao GITE.

E recordou-se o então Major Tomás, ou simplesmente o Tomás (RIP), no seu Renault 4L AM-64-10 (que parece que era AM-60-24 ou … ai, estas memórias) e uma das suas mais famosas frases:

- Ò aluno, eu tou-te a ver. És tu, anda cá, és tu sim.

Depois, bem, depois o GITE. Desfilaram pela minha memória tantas coisas, tantas situações: as aulas de morse (com o segundo-sargento Teixeira da Silva e a sua peculiar frase à segunda-feira de manhã: - “vocês não estão a apanhar nada de morse. Já disse que ao fim de semana não podem ir às gaiatas”), de teleimpressoras (com o sargento BT), de cifra, de dactilografia, de inglês, de… e de …. e de ….

Tantas outras vistas que trouxeram à memória tantas e tantas situações que passámos num ano inteiro na OTA. Afinal, era para recordar que fomos lá.

Antes de almoço (buffet e de qualidade), tempo para os discursos. Dos Presidentes da AEFA, da assembleia-geral, do comandante da Base e do enviado do CEMFA. Tempo para deposição de uma coroa de flores no monumento de “Homenagem da BA2 aos militares da Força Aérea que tombaram no campo da honra na Guiné, Angola e Moçambique”.

Tempo ainda para a chamada dos antigos Zés Especiais por ano de incorporação, desde 1942 (pareceu-me que foi o ano mais antigo). E era vê-los a desfilarem diante do palanque onde estavam as altas individualidades, como os Presidentes, o comandante da BA2 e o representante do CEMFA. A seguir ao ano de 1968, foi o 1970. Claro que se seguiu um coro de uuuhhhhssss. Então saltaram o ano de 1969? Malandros…

Depois de almoço, o antigo especialista Tino Costa brindou-nos com uma actuação com o seu acordeão, mostrando o porquê de ser o melhor acordeonista, tendo dedicado a primeira canção que ele compôs ao comandante da BA2.

Antes das 17 horas (hora de entrada nos autocarros), vi muitos a tirarem fotografias ao pé de jurássicos aviões e aviõezinhos e avionetas. Um dos mais solicitados foi o ALIII.

Vi alguns com os rostos contraídos pela emoção, recordando tempos idos com quase 50 anos, em paragens longínquas.

Será engano meu, ou vi, nalguns abraços mais profundos e apertados, entre verdadeiros camaradas, que já não se viam há dezenas de anos, algumas parvas e rebeldes lágrimas?

Náh, é de certeza engano meu. Então pode lá ser?

Tipos que estiveram na guerra, que passaram o que passaram, que viram o que viram, que sofreram o que sofreram, estarem armados não sei em quê e deixarem escapar uma estúpida e incontrolável lágrima?

É engano meu!!!

Afinal, como se dizia na recruta:

-Em sentido não mexe. Em sentido não mexe. Nem que passe um … … …

Obrigado, malta. Gostei muito.”


A cerimónia foi presidida pelo Comandante do Pessoal da Força Aérea Tenente-General Rafael Martins, em representação de Sua Excelência o C.E.M.F.A. cuja presença muito nos honrou, assim como as palavras proferidas de elogio à nossa Associação e sobretudo ao nosso espírito vincado e quase intergeracional de ser Especialista.



Depois da cerimónia fúnebre presidida pelo Major Capelão Manuel Silva o Presidente Nacional e o Presidente Nacional Adjunto, respetivamente Paulo Castro e Artur Alves da Silva depuseram uma coroa de flores em memória dos associados falecidos e de todos os Especialistas mortos nos diferentes campos de batalha.







 
Usaram da palavra o Vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral, Américo Dias, que entre palavras de apreço à Direção Nacional leu o voto de louvor que foi concedido pela Assembleia Geral à atual Direção Nacional no passado dia 17 de março.

 

Seguiu-se-lhe o Presidente Nacional, Paulo Castro, que agradeceu honra pela presença dos ilustres convidados e dirigiu-se aos associados preocupado com o futuro da nossa Associação seja a curto ou a longo prazo.

A curto porque será retomada a 5 de maio próximo futuro a Assembleia Geral eleitoral e não apareceu lista candidata. A longo prazo pela impossibilidade de renovação etária da associação fruto de perda do espírito do Especialista.



Foram ainda entregues os Prémios Especialista de 2017 a José Manuel Torrão Sacramento pela sua dedicação à AEFA e ao nosso “O Especialista”.




Os Prémios Núcleo do ano 2017 foram entregues ao Núcleo de Coimbra e, igualmente, ao Núcleo do Alentejo .








Encerrou Sua Excelência o Comandante do Pessoal da Força Aérea, Tenente-General Rafael Martins que dirigiu palavras elogiosas e sinceras sobre a nossa A.E.F.A., o nosso espírito de união e o sentimento de pertença que continuamos a nutrir pela Força Aérea Portuguesa.



Depois seguiu-se a chamada por anos, momento sempre galvanizante para todos. Em respeito pelo Cabo Lemos iniciamos em 1939, mas o primeiro a dizer presente era de 1948. O último de 1999.



Depois foi tempo para aguardar pela passagem de uma parelha de F – 16 que, como sempre, nos enche a vista e os ouvidos e nos dá sensações fantásticas.







O almoço estava à espera e lá fomos todos para uma excelente refeição tão bem regada quanto possível.



Abriu-se o bolo de aniversário, o Tino Costa deu-nos música da boa e lá passamos mais uma excelente tarde de convívio, amizade e fervor aeronáutico.






Arreadas as bandeiras foi tempo de regresso, mas com a alma cheia.



Ao Comando do C.F.M.T.F.A. e a todo o pessoal envolvido os nossos mais sinceros agradecimentos.

A propósito escreveu-nos o nosso camarada Fernando Pereira, da 2ª recruta de 68:

“Meus Caros Camaradas Dirigentes da AEFA

Quero-vos agradecer vivamente pelo vosso empenho na organização do Encontro Nacional deste ano.

Gostei do programa:

-Transportes (Lisboa) bom.

-Visita ás camaratas foi muito agradável.

-Visita ao GITE/Cerimónias e alocuções. Foi pena o som estar fraco. Foi muito difícil ouvir os discursos e fez com que o pessoal se dispersasse a conversar, aumentando ainda mais a dificuldade em ouvir.

-Exposição estática das aeronaves na placa e as passagens do F -  16 foi muito agradável.

-Almoço uma Boa e Variada Oferta. Muito Bom!

-Animação Também um obrigado ao Tino.

Foi um dia fantástico cheio de emoções fortes. Rever velhos amigos, recordar histórias e tempos passados, são sempre momentos de grande alegria e de enorme satisfação.

Um abraço e um grande obrigado a todos aqueles que tornaram possível mais este encontro dos Especialistas da Força Aérea”


Fotografias: Augusto Ferreira, Rui Ferreira, Fomos Combatentes, Força Aérea Portuguesa, João Carlos Silva


28 de março de 2018


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