Simbologia

O Símbolo da AEFA

O símbolo da Associação de Especialistas da Força Aérea foi elaborado em 1978 pelo então Maj. Santos. Baseado na Mitologia Grega, na figura central de Dédalo, numa lenda vulgarmente conhecida por lenda de Dédalo e Ícaro.
Num paralelismo que se pode estabelecer facilmente, Dédalo representa genericamente o engenho e o trabalho de todos os que contribuem para que a Força Aérea Portuguesa possa desempenhar a sua missão, os Especialistas, colocando em prática, todos os dias, o sonho de voar, através do aprontamento de homens e máquinas.


A origem das lendas

Os Gregos inventaram um conjunto de lendas (mitos) sobre a origem e a vida dos deuses, integraram-nos em famílias, envolveram-nos em lutas, deram-lhes uma história fantástica.
Entre os homens e os deuses havia os heróis, como Hércules, Teseu, Édipo, Dédalo e outros, cujas façanhas em vida os tornaram imortais e merecedores de culto e de tratamento poético como os deuses.


A lenda de Dédalo

A Lenda de Dédalo começa com o significado do seu próprio nome que significa em grego engenhoso, hábil ou criador. Dédalo era precisamente tudo isso, notabilizou-se desde novo na arquitectura, nas artes, na engenharia, sendo protegido dos povos e reis que o acolhiam com acarinho e admiração pela sua capacidade inata de ajudar todos os que recorriam a si, resolvendo os mais difíceis problemas ou tarefas demonstrando um engenho ímpar.
Dédalo era um homem diferente dos outros. Tinha ideias fantásticas. Quando havia um problema complicado para resolver ele pensava, pensava, acabando por descobrir uma solução que a todos parecia única e evidente.
As pessoas, admiradas, exclamavam:
  - Como é que nunca ninguém se lembrou disto?
Afinal era tão simples!
Foi por isso que o rei Minos, senhor da ilha de Creta, resolveu chamá-lo para lhe encomendar um serviço especial.
A rainha Pasifae, sua mulher, tinha-se apaixonado perdidamente por um touro. Desses amores nasceu um pequeno monstro, que era homem da cintura para baixo e touro da cintura para cima. Deram-lhe o nome de Minotauro.
Provavelmente o rei Minos teria gostado de o matar e esquecer o assunto; mas não teve coragem. Vendo bem, aquele monstro era seu enteado. Que fazer? Pareceu-lhe que o ideal seria encerrá-lo numa prisão de onde fosse impossível escapar. Assim deixava-o ficar no reino, alimentava-o, mas não teria que suportar a sua presença. Chamou então o famoso Dédalo e pediu-lhe que imaginasse uma tal prisão.
Dédalo não era homem para se encantar com soluções fáceis do género "paredes grossas e grades nas janelas". Concebeu um labirinto, ou seja, um mundo de caminhos que se cruzavam e entrecruzavam, de modo que quem lá entrasse nunca mais saía.
O Minotauro foi encerrado no labirinto.

Mas alimentá-lo é que não era nada fácil, posto que exigia carne humana. Decidido a não sacrificar os súbditos aos apetites do enteado, o rei exigiu à cidade de Atenas um tributo pavoroso: de nove em nove anos, tinham que enviar sete raparigas e sete rapazes para saciar o Minotauro. Caso falhassem, invadia e destruía a cidade a cidade de Atenas.
De nove em nove anos os atenienses juntavam-se no porto para verem embarcar os catorze jovens condenados à morte. Choravam de tristeza e no mastro hasteavam uma vela preta, em sinal de luto. Certo dia, entre os rapazes escolhidos partiu o filho do rei de Atenas, que era belo como o Sol. Chamava-se Teseu. Teseu jurara ao pai, em grande segredo, que havia de matar o monstro devorador de gente...
E a sorte sorriu-lhe porque, quando as vítimas desfilavam perante os habitantes de Creta, a filha do rei, Ariadna, apaixonou-se por ele. Desesperada, procurou Dédalo e pediu-lhe por tudo que o salvasse. Mais uma vez o arquitecto encontrou uma solução tão simples que Ariadna não resistiu a comentar:
  - Como é que nunca ninguém se lembrou disso?
De facto o instrumento que permitia fugir do labirinto não tinha nada de misterioso. Era um simples novelo. Teseu devia atar uma ponta à entrada e ir desenrolando o fio pelo caminho. Quando quisesse voltar para trás, já não se perderia.
O rapaz assim fez. Seguro de que não ficaria para sempre naqueles caminhos cruzados, foi em busca do Minotauro.
A sorte sorriu-lhe! O monstro estava a dormir. Teseu matou-o, salvou os companheiros, saiu do labirinto e, levando consigo Ariadna, embarcou para Atenas.
Claro que Minos ficou furioso. Quem poderia ter ensinado os atenienses a escapar do labirinto? Só Dédalo, o arquitecto. Para o castigar, atirou-o lá para dentro, juntamente com o seu filho, Ícaro. Este, aflitíssimo, reclamou:
  - E agora? Ficamos aqui enfiados nesta prisão que teve a triste ideia de inventar?
Dédalo sorriu.
  - Não. O rei decerto mandou vigiar as saídas que dão para o mar e para a terra. Mas o ar e o céu estão livres. Vou construir umas asas para mim e outras para ti. Escaparemos voando.
O rapaz ficou delirante. Voar? Que maravilha! Sem qualquer dificuldade, executaram o plano.
Antes de partirem, o pai preveniu:
  - Tem cuidado, Ícaro. Não voes alto de mais!
  - Porquê?
  - Porque as asas estão coladas com cera. Se te aproximares muito do Sol, o calor derrete a cera e as asas soltam - se.
Ele concordou e lá foram. Mas a sensação de voar era tão estonteante que Ícaro depressa esqueceu as recomendações e subiu... subiu... subiu...
Tal como Dédalo previra, a cera derreteu. Pobre Ícaro! Caíu ao mar e morreu afogado. Desgostoso o pai seguiu para outra ilha do Mediterrâneo, a Sicília, onde foi muito bem acolhido pelo rei.

Minos perdeu - lhe o rasto mas não desistiu da vingança. Sabendo que ele não resistiria a um desafio que pusesse à prova a sua inteligência, arranjou um estratagema para o localizar. Anunciou que daria grande recompensa a quem conseguisse passar um fio por dentro de um búzio. Dédalo resolveu a questão. Fez um pequeno orifício no búzio, atou o fio a uma formiga e introduziu-a lá dentro com muito cuidado. Depois tapou a entrada.
A formiga percorreu a espiral do interior do búzio no seu passinho vagaroso e paciente, e saíu pelo outro lado, arrastando a linha minúscula.
Orgulhoso, o rei de Sicília anunciou que o problema fora resolvido.
Minos avançou então para lá com os seus exércitos para exigir que lhe entregassem o malfadado arquitecto. Mas o rei da Sicília recusou. Houve guerra, a luta foi terrível e Minos pagou cara a sede de vingança, porque morreu no campo de batalha.
Dédalo continuou a viver na Sicília, rodeado de carinho e admiração.


19 de novembro de 2014


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